Aquele dia.

 
Onde estás tu agora? Será que partiste por iniciativa própria ou se foi algo causado pelas circunstâncias que surgiram com o passar do tempo ? Estas talvez são as perguntas que surgem na minha cabeça quando o teu nome surge sem qualquer sentido ou razão.
Tudo surge apenas quando estou isolada do mundo  e com o meu computador ligado, entre quatro paredes e onde a escuridão predomina tanto como os ditos monstros do passado que me continuam atormentar, aqueles monstros que insistem em tornar-me aquilo que um dia eu não fui.
Tentei várias fugir, esquecer tudo e partir talvez sem data de regresso e criar um mundo novo com expectativas novas e possivelmente um amor novo que não faça tantos estragos como aqueles que tu causas-te.
Mas sabes uma coisa? Não sei, sinceramente não faço ideia que ponte ei-de atravessar até te encontrar só mais uma vez para te perguntar aquilo que tanto me corrói por dentro, pois já faz algum tempo que não te vejo. Talvez para ti tenha sido suficiente ir ao espelho e ver o teu reflexo para te encontrares, tentei de igual fazer o mesmo mas nem a mim própria me consegui encontrar.
Como descrever isto ? Talvez um labirinto de ideias, onde procuro a saída mas no fundo parece infinito ou talvez um começo sem fim ou ainda um fim sem começo. O tempo foi passando tão depressa e nós tornamos-nos o oposto daquilo que um dia indializamos, pois acabamos por nos perder entre os caminhos assustadores que nos foi colocado a cada passo que davamos e acabamos por caminhar sem dizer uma única palavra um ao outro, talvez porque os obstáculos que a vida foi colocando era superior aquilo que um dia disseste que sentias por mim.
Hoje, ao olhar ao meu redor, relembro os sonhos que crias-te, os sonhos que não passaram disso mesmo, de meros sonhos e chego a conclusão que já faz tempo que nunca mais falas-te que não sei ao certo quanto tempo é.
O tempo foi passando e eu mesmo assim tentei remar contra a maré, mas quando finalmente decidi regressar a superfície entendi que algo estava diferente, eu estava diferente, pois uma parte de mim afundou-se contigo naquele dia em que decidis-te desistir depois de tudo o que lutamos para ficar juntos, afundou-se e hoje ainda não estou totalmente na superficie.
Ali estava eu, no fundo do café. Depois de tudo mais uma vez voltei a olhar a minha volta e tu sorris-te ao ver-me. Eu sorri de volta. Do nada surgiu uma enorme vontade de te abraçar, pois já fazia algum tempo que isso não acontecia. Antigamente teria-lo feito sem sequer pensar no erro que isso seria. Mas naquele dia não. Ouvi-te falar por breves instantes com os teus amigos e senti a falta e a nostalgia dos tempos em que era eu que estava ali a falar contigo e foi aquilo que imaginei que um dia poderia acontecer depois de tudo o que passamos e dos planos que construímos. Naquele breve momento passou-me pela memória tantas conquistas que tivemos lado a lado, e de alguns dias felizes que tive o prazer de viver. Tentei acreditar que pensavas no mesmo enquanto os nossos olhares se cruzavam sem dizermos uma única palavra. Senti naquele momento que o teu olhar e o sorriso era o mesmo de quando a nossa história começou. Ainda me olhavas como dantes.E sorri quando me deparei que continuavas com as mesmas manias patéticas de coisas banais do teu dia a dia e que no passando eu achava que não interessava a ninguém, mas naquele dia ouvi tudo com atenção sem sequer conseguir dizer uma única frase e naquele momento tudo parecia ter ganhado um novo rumo. Aquelas manias que te caracterizavam e que mais ninguém tinha igual. Ainda sabia todas de cor mesmo com o passar de todo o tempo. E como soube tão bem recordar aquele sorriso, aquela voz e manias. Como soube tão bem saber que estavas bem, mesmo longe de mim.
Depois daquele dia, entendi que a pessoas que mesmo que o tempo tente apagar, ficam sempre na nossa consciência. Cheguei a conclusão que a vida é como o trânsito de uma grande cidade : Algumas pessoas ficam ali paradas, impacientes, a espera do momento propicio para irem embora. Outras,tentam fazer do tempo em que estão ali mais agradável, por mais difícil que seja. E outras que atravessam apressadas pela rua da vida sem sequer reparar ao que está ao seu redor e, talvez essa pressa toda, te fizesse perder coisas espectaculares que estavam mesmo ali ao teu lado.
Isto para dizer que estejas onde estiveres, espero que estejas bem desde a ultima vez que te vi naquele café mas continuar a perguntar como no começo do texto : Onde estás? .. Talvez pedir-te para ficares seja tamanha loucura, então apenas te digo as vezes o tempo não define o sentimento e quando uma pessoa volta, ela volta mas quando uma pessoa gosta muito, ela fica. ETu depois de tudo queres ficar ou voltar aquele dia do café?
                                                               


                                                                         

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